segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

FMPBU é mencionada em artigo internacional

Em um excelente artigo publicado recentemente, o antropólogo Eduardo Brondízio discute a invisibilidade das cidades amazônicas em meio às discussões sobre meio ambiente na região. Para o professor da Universidade de Indiana (EUA), as cidades deveriam ocupar papel central nestes debates, tendo em vista os preocupantes índices de saneamento em capitais como Belém e Macapá e a poluição de igarapés e rios urbanos.

Em uma das passagens mais interessantes do artigo, o autor aponta que práticas destrutivas do meio ambiente urbano se baseiam na ilusão de que as águas amazônicas podem absorver e diluir toda sorte de esgotamento, o que oferece ao poder público a desculpa perfeita para não lidar com o problema do esgoto sanitário em cidades como Belém.

O artigo conta com dados construídos pela pesquisadora Andressa Vianna Mansur orientanda do Professor Eduardo Brondízio e estudante de doutorado na Universidade de Indiana. Andressa passou uma temporada em Belém observando efeitos de mudanças climáticas e as condições de vida de habitantes da Bacia do Una e outras localidades. Durante este período, Andressa e a Frente dos Moradores da Bacia do Una trocaram experiências e se ajudaram mutuamente, o que resultou em uma relação de parceria e amizade que ainda perdura.


Mapa do saneamento em Belém: esgotamento sanitário (2000-2010).
Pruduzido por Andressa V. Mansur a partir de dados do IBGE.



O artigo do Professor Eduardo Brondízio é o primeiro produto dessa parceria. Nele há registros fotográficos produzidos por membros da FMPBU e referência expressa à Frente dos Moradores Prejudicados da Bacia do Una como um dos únicos movimentos sociais que lutam pelo saneamento básico e pelo bem-estar ambiental no mundo urbano amazônico.

O link para o artigo encontra-se logo abaixo:

Clique neste link para ler o artigo 




A FMPBU agradece aos amigos Andressa e Raúl e ao Professor Eduardo Brondízio.

Sobre risco e falta de segurança nos canais

Trecho do Canal São Joaquim, Bacia do Una

 Uma criança foi encontrada afogada em um dos canais da Bacia do Tucunduba. Davi  Santos Frasão, de seis anos de idade, caiu no Canal da Vileta e ficou desaparecido até que seu corpo foi encontrado por um funcionário da prefeitura. A notícia é relativamente antiga (dezembro de 2015), mas ainda repercute nas redes sociais e entre grupos que discutem saneamento e reforma urbana. A reportagem está disponível no link abaixo.

Clique aqui para ler a notícia


Lamentamos a dor da família que perdeu uma criança dessa maneira. Infelizmente, este não foi um caso isolado. Com relação ao incidente da morte do menino no Canal da Vilela, no bairro do Marco (Bacia do Tucunduba), quero ressaltar outro incidente parecido, que foi uma fatalidade ocorrida com outro menino no dia 24 de outubro de 2015 no Canal São Joaquim no bairro do Barreiro (Bacia do Una). Notícia disponível no link abaixo.

Clique aqui para ler a notícia


Ressaltamos que o Canal São Joaquim é a calha principal da Bacia do Una. Sua largura foi equacionada pelo Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, em 90 metros, obedecendo assim aos cálculos da engenharia para a eficiente vazão do sistema de drenagem da referida bacia.

            O fato é que, com a falta de responsabilidade aos compromissos assumidos pela Prefeitura (durante a gestão do Prefeito Duciomar Gomes da Costa) para a manutenção e conservação das obras do Projeto de Macrodrenagem, o Canal São Joaquim perdeu sua capacidade de vazão, justamente pela falta das dragagens periódicas previstas no Manual de Operação e Manutenção de Drenagem, Vias e Obras de Arte Especiais da Bacia do Una - Volume I, Maio de 2002.
            Paralelamente a esse fato, o Prefeito Duciomar Gomes da Costa, deu "sumiço" nos equipamentos, maquinários e veículos avaliados em R$ 21.977.619,75 que foram adquiridos pelo Estado do Pará com os recursos do financiamento firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID (capital estrangeiro) e, repassados para a Prefeitura de Belém no dia 02 de janeiro de 2005, para a única e tão-semente manutenção e conservação do conjunto de obras do referido Projeto.
            No período de 2011 a 2013, através da Comissão Temporária Externa da Assembléia Legislativa do Estado do Pará - ALEPA, instituída para investigar as denúncias de alagamentos, as irregularidades e omissões na Bacia do Una, após a "conclusão" do Projeto de Macrodrenagem, foi constatado que o Vereador Miguel de Jesus Pantoja Rodrigues, além de ter construído uma ponte de madeira dentro do Canal São Joaquim, obteve licença de órgãos da Prefeitura para construir de forma irregular uma quadra de futebol sobre um gigantesco assoreamento que se formou sobre o talude da marginal esquerda daquele canal, nas proximidades da Passagem Estélio Maroja.
            Contraditoriamente no ano de 2013, o Vereador Miguel de Jesus Pantoja Rodrigues, foi desiguinado Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI da Câmara Municipal de Belém - CMB, instituída para averiguar os indícios de irregularidades acerca dos equipamentos, maquinários e veículos, destinados à manutenção e conservação do conjunto de obras do Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, que é agrupado em três grandes sistemas: saneamento, viário e macrodrenagem (17 canais, 6 galerias e 2 comportas). Esta CPI até hoje não deu uma satisfação exemplar para os munícipes de Belém acerca do real paradeiro de tais equipamentos,  maquinários e veículos!
            Na reportagem exibida pela TV Liberal sobre a morte do menino Anderson Henrique no Canal São Joaquim, não foi sequer abordada a questão da construção irregular da referida quadra. Construção irregular que, além de diminuir a vazão do canal, oferece riscos à vida de crianças e adolescentes. Assim como na Vileta, onde uma criança caiu dentro do canal, a quadra construída dentro do Canal São Joaquim não oferece proteção e segurança para aqueles que utilizam diariamente aquele espaço.
            O problema se repete ao longo da Bacia do Una, onde guarda-corpos (muretas de proteção das margens dos canais) estão quebrados e pontes avariadas. Às vezes esses problemas ganham espaço nas manchetes de jornais impressos e televisivos. No entanto, não há referência a estes guarda-corpos e pontes como parte de um conjunto de obras que forma um sistema. Trata-se do sistema de macrodrenagem da Bacia do Una, o qual não tem manutenção desde dezembro de 2004, quando o Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una foi dado como concluído.

            Sem os equipamentos adequados para sua manutenção, o conjunto de obras da Bacia do Una segue abandonado pelo poder público. Muitos moradores tem investido seus próprios recursos na reconstrução das barreiras que separam a rua do sistema de drenagem. Quando há alagamentos e inundações – o que não é raro – as muretas e guarda-corpos muitas vezes são as únicas referências espaciais sobre onde termina a rua e onde começa o canal. A rua estando ou não alagada, canais e guarda-corpos depredados representam perigo para a vida de moradores. Permanece o risco de queda nos canais que resulta no contato com águas contaminadas e no afogamento de pessoas mais vulneráveis como idosos e crianças.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Convite para reunião com a Defensoria Pública em 10.09.2015

Prezados

Convidamos Vossas Senhorias a participar da reunião com a Defensora Pública, Dra. Anelyse Santos de Freitas e os membros da Frente dos Moradores Prejudicados da Bacia do Una – FMPBU.

Esta reunião terá como objetivo a construção de uma Audiência Pública para dar encaminhamento as nossas denúncias da violação dos direitos humanos quanto ao saneamento básico e ambiental, ao ir e vir, à moradia com dignidade, à saúde publica, à melhoria da qualidade de vida e, no mínimo, à dignidade humana de significativa parcela da população de Belém, habitante na Bacia do Una.

Tal violação de direitos é decorrente do agravamento da situação calamitosa causadora de sofrimento, transtornos, prejuízos materiais e danos de ordem moral em virtude dos contraditórios alagamentos resultantes da falta de execução das várias obras complementares de Microdrenagem que ficaram pendentes espalhadas pelas 7 Sub-bacias, bem como  a falta de manutenção técnica ao conjunto de obras executadas pelo Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, agrupado em três grandes sistemas: Saneamento, Viário e Macrodrenagem (17 canais, 6 galerias e 2 comportas), prevista nos Manuais de “Operação e Manutenção do Sistema de Esgoto Sanitário e Água Potável da Bacia do Una”, agosto de 2001; “Operação e Manutenção de Drenagem, Vias e Obras de Artes Especiais da Bacia do Una” – Volumes I e II, maio de 2002 e de “Operação e Manutenção das Comportas do Una e Jacaré”.

A reunião ocorrerá no próximo dia 10 de setembro de 2015 (quinta-feira), às 10 horas na sede do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Pará. Travessa Campos Sales nº 280, entre a Travessa 13 de Maio e a Rua Senador Manoel Barata no bairro do Comércio, em frente ao Arquivo Público, perímetro limítrofe à loja Yamada matriz.

domingo, 23 de agosto de 2015

Reunião com a Comissão de Assistência Comunitária e de Moradia da OAB/PA e com a Defensora Pública Anelyse Santos de Freitas

Reportagem televisiva veiculada no Jornal RBA sobre a reunião articulada pela Comissão de Assistência Comunitária e de Moradia da OAB/PA com a Defensora Pública Anelyse Santos de Freitas, Coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Pará. Realizada em favor das vitimas dos constantes alagamentos na Bacia do Una a reunião ocorreu no dia 10 de junho de 2015 às 9 horas no auditório do prédio sede da Defensoria Pública.










Agradecemos o envolvimento dos órgãos citados. A matéria, porém, mostra a pouca evolução das questões relativas à Ação Civil Pública movida por habitantes da Bacia do Una contra o Governo do Estado, a Prefeitura Municipal e a COSANPA pela falta de manutenção nas obras da Macrodrenagem da Bacia do Una que resultou em alagamentos responsáveis por perdas de ordem moral e material. 

A referida Ação Civil Pública (processo de número nº 0014371-32.2008.814.0301) continua tramitando na justiça desde 2008. No segundo semestre de 2013 o Ministério Público Estadual realizou visitas de campo na Bacia do Una com uma equipe profissional multidisciplinar e a presença de pessoas das comunidades afetadas por alagamentos. Nessas diligências constatou-se a real necessidade de realizar a manutenção das obras de Macrodrenagem executadas na Bacia do Una e concluídas em 2004.

Em seguida, o referido órgão ministerial engendrou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) entre o Governo, a Prefeitura e a COSANPA para a revitalização das obras da Bacia do Una mediante novo financimento pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Desde então, o Ministério Público Estadual se afastou das questões relacionadas à Bacia do Una. O acordo pela manutenção das obras de macrodrenagem entregues em 2004 corresponde apenas à metade do que se entende pela "obrigação de fazer" da Prefeitura, Governo e COSANPA que constam na Ação Civil Pública citada. Pois no processo não consta apenas a exigência de manutenção das obras realizadas, mas também a execução de obras de microdrenagem complementares que deveriam ter sido realizadas (de acordo com o contrato com o BID) mesmo após a conclusão do Projeto Una de modo que o sistema de drenagem implementado pudesse alcançar sua plenitude funcional.

O promotor da 3a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo de Belém afirmou que o processo estava dividido em duas partes. Sendo assim, 2013 foram realizadas diligências e visitas técnicas aos canais da Bacia do Una, isto é, ao sistema de macrodrenagem. As diligências aos locais onde havia Microdrenagens pendentes seriam realizadas posteriormente, seguindo um calendário de atividades relacionadas ao processo. O que seriam microdrenagens pendentes? Ruas sem pavimentação, sem revestimento, sem canaletas, bocas de lobo ou qualquer equipamento que auxilie no escoamento da água da chuva. Bolsões de alagamento e insalubridade ambiental espalhados pela Bacia do Una também constituem pendências de microdrenagem.

No entanto, as visitas técnicas, diligências ou visitas a campo nos locais de microdrenagem pendente ainda não ocorreram. Há 2 anos estamos à sua espera. Tampouco há qualquer projeto de intervenção para esses lugares. A Ação Civil Pública tramita vagarosamente há 8 anos, sendo contemplado apenas 50% do seu conteúdo. Além dos alagamentos desnecessários causados pelas chuvas, os habitantes da Bacia do Una também precisam lidar com a ultrajante inércia do Ministério Público Estadual e do Poder Judiciário.






sábado, 21 de março de 2015

Resultados da Audiência com a OAB no dia 11 de março de 2015


A audiência do dia 11 na sede da OAB contou com a presença da Comissão de Meio Ambiente da OAB, parlamentares, representantes do PARU (Programa de Apoio à Reforma Urbana da UFPA), profissionais da área de saneamento e movimentos sociais. A sociedade civil organizada se pronunciou e representantes da COSANPA e da Prefeitura prestaram esclarecimentos técnicos sobre problemas de alagamentos, inundações e esgotamento sanitário (clique aqui para conferir nosso post sobre o assunto em questão) em Belém. A Audiência ganhou destaque nos meios de comunicação da capital, conforme aparece no link a seguir: http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-322833-oab-quer-solucoes-para-macrodrenagem.html

Antes da reunião também tivemos notícia da renúncia do então Secretário de Saneamento Luiz Otávio Mota Pereira. Os motivos da renúncia ao cargo não foram especificados. A imprensa também foi bastante discreta sobre o assunto (clique aqui para ter acesso à reportagem sobre a renúncia de Luiz Otávio Mota Pereira ao cargo de Secretário de Saneamento de Belém).

É a segunda vez que Luiz Otávio renuncia ao mesmo cargo. Em 2007 o engenheiro civil e sanitarista desvinculou-se da administração de Duciomar Costa após denunciar uma série de irregularidades na gestão do mesmo. Algumas dessas irregularidades tem relação com o sumiço dos maquinários que deveriam, na época, estar sendo utilizados na manutenção do Projeto de Macrodrenagem do Projeto Una. O desaparecimento dos maquinários hoje é alvo de uma CPI na Câmara de Vereadores de Belém desde 2013 sem resultados aparentes.

Em relação aos resultados obtidos através da Audiência Pública, os seguintes foram:

1) O Governo do Estado será denunciado à OEA (Organização dos Estados Americanos) por violar dos direitos humanos da população, para indenizar por prejuízos materiais, por descumprir compromissos assumidos no projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una;
2) Ficou estabelecida a criação de um coletivo popular com participação da universidade e entidades diversas para discutir e pressionar a soluçao dos problemas que tem atingido toda a cidade;
3) A justiça paraense será cobrada pelos órgãos nacionais (CNJ, CNMP) por não ter agido mesmo tendo ações contra o Governo do Estado, Prefeitura e Cosanpa a mais de 6 anos.


Consideramos os resultados da audiência como conquistas parciais da sociedade civil organizada frente às estruturas dos poderes Executivo e Judiciário que têm impedido há 10 anos a manutenção das obras na Bacia do Una. No entanto, reconhecemos que ainda é necessário uma ação específica de cobranças por resultados na CPI que investiga a improbidade administrativa  referente à má utilização (leia-se leilão, extravio e apropriação indevida) dos maquinários, veículos e equipamentos somados em 25 milhões de dólares que entregues pelo Governo do Estado à Prefeitura em 2005 para a manutenção das obras do Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una.







quinta-feira, 5 de março de 2015

Audiência Pública (11/03/15): Alagamentos em Belém e os projetos de macrodrenagem


Data: 11/03/2015
Horário: 15 horas
Local: Sede da OAB - Praça Barão do Rio Branco 63, próximo à Praça da Trindade

A cada ano Belém e a Bacia do Una passam por alagamentos e inundações. O primeiro grande alagamento ganha a primeira página dos principais jornais da capital paraense. O segundo, talvez. O terceiro já recebe menor atenção, até o ponto de surgirem pautas "mais importantes" e o público esquecer os sofrimento da população das baixadas e proximidades de canais. Afinal de contas, todos os anos é a mesma coisa. Os jornais impressos publicam as mesmas fotos de ruas alagadas. Os telejornais promovem o triste espetáculo de pessoas lamentando pela casa arruinada, pelos eletrodomésticos e móveis perdidos. O inverno termina e com ele as grandes chuvas. Aos habitantes da Bacia do Una, resta esperar pelo ano que vem.

As inundações na Bacia do Una são vistas pelo belemense médio como algo sazonal, localizado e irremediável. A imprensa local culpabiliza a população pelo arremesso de lixo nos canais e pela obstrução da drenagem. A Secretaria de Saneamento emite notas duvidosas afirmando que está realizando a manutenção dos canais. Mas com qual equipamento? Seguindo as instruções de que manual?

Acostumou-se a enxergar os alagamentos em como parte da experiência recorrente de viver em Belém. As inundações não são catastróficas o suficiente para chamar atenção das manchetes nacionais. Depois de tanto tempo, o problema já não chama atenção da opinião pública e nem engaja compromissos mais sérios de políticos locais. Para muitos belemenses, não há muito o que questionar: "Sempre foi assim". Os alagamentos e inundações se converteram em tragédias silenciosas e cotidianas que se abatem sobre os pobres em Belém. E o problema é perigosamente naturalizado quando são evocadas as características geográficas da cidade e a ocupação espontânea das baixadas para justificar a ocorrência de inundações.

Mas as causas dos alagamentos em Belém não são meramente naturais. Entre 1993 e 2004 um ambicioso projeto de saneamento ocorreu em Belém. O Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una custou 312 milhões de dólares e tinha o objetivo - entre outros - de resolver o problema dos alagamentos em Belém. O referido Projeto foi responsável pela transformação dos antigos cursos d'água da cidade - alguns deles já haviam sido dragados e retificados - em uma extensa rede técnica de drenagem e escoamento de águas. 

A falta de manutenção (desvio de equipamentos) nessa rede e o não prosseguimento de obras complementares (não cumprimento de cláusulas do contrato de empréstimo) resultaram em curto prazo na poluição dos canais e na deterioração progressiva do conjunto de obras realizadas, comprometendo todo o investimento realizado. Os habitantes da Bacia do Una se tornaram novamente vulneráveis a inundações e riscos ambientais.

Portanto, os alagamentos na Bacia do Una não são casos isolados ou infortúnios em virtude da ocupação de áreas inadequadas. As causas dos alagamentos são resultados de decisões políticas que causaram o sucateamento de um conjunto de obras de mais de 300 milhões de dólares para benefício da máfia do saneamento e do mercado imobiliário em Belém. Os alagamentos em Belém ocorrem com a conivência de uma cadeia de cúmplices que vai desde o CONGEB/Una - comitê popular responsável pela sustentabilidade do Projeto - passando pela prefeitura, o governo do estado, o poder judiciário e promotores públicos, chegando ao Banco Interamericano de Desenvolvimento.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Reunião com a Comissão de Meio Ambiente da OAB


Por

Alexandre Costa, Cidadão da Bacia do Una,

Jorge André Silva, Movimento Belém Livre



Na última sexta-feira dia 12 de dezembro de 2014 na sede da OAB-PA ocorreu uma reunião com a Comissão de Meio Ambiente da OAB. A Frente dos Moradores Prejudicados da Bacia do Una já havia buscado apoio dessa entidade que se mostra a favor da defesa de interesses sociais, como é o caso das áreas da Bacia do Una constantemente atingidas por alagamentos.


Espera-se que a Comissão de Meio Ambiente da OAB-PA possa se posicionar junto à FMPBU no sentido de suprir as falhas do próprio Ministério Público Estadual que, através da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo de Belém, ajuizou uma Ação Civil Pública Ambiental contra a COSANPA, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal. No entanto, não se vê nenhum empenho por parte do MPE em beneficio da população vítima dos alagamentos, que com o passar dos anos se tornam cada vez mais frequentes.

A Comissão de Meio Ambiente da OAB-PA também se mostra como uma entidade capaz de suprir outra omissão do MPE que, através da Promotoria de Justiça de Direitos Constitucionais, Fundamentais, Defesa do Patrimônio Público e Moralidade Administrativa, não toma ações efetivas face às inúmeras denúncias que apontam indícios de improbidades por parte da Prefeitura Municipal de Belém, acerca dos equipamentos, maquinários e veículos avaliados em R$ 21.977.619,75 que no dia 2 de janeiro de 2005 foram entregues pelo Governador Simão Jatene ao Prefeito Duciomar Costa para a manutenção e conservação das obras executadas pelo Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una. Até o momento, tal Promotoria não tomou nenhuma medida, permitindo que a situação se arraste como se fosse de menor importância.

Buscamos apoio também para pressionar a Câmara Municipal de Belém por uma resposta em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o desaparecimento dos equipamentos, maquinários e veículos destinados à manutenção e conservação das obras executadas pelo Projeto de Macrodrenagem. Que a exemplo da Ação Civil Pública Ambiental, também segue sem nenhuma perspectiva de resultados em beneficio da referida população.

Na reunião do dia 12 de dezembro de 2014 foi instituída uma comissão entre o público presente, com o objetivo de formar um grupo de trabalho para a realização de uma Audiência Pública prevista para ser realizada no próximo dia 28 de janeiro de 2015. Nessa audiência será anunciado o surgimento do Fórum Belém 400 anos, que visa discutir não só a problemática dos alagamentos na Bacia do Una, como também outros aspectos que contribuem para o caos urbano que se passou a caracterizar a cidade de Belém como um todo.

Na reunião com a Comissão de Meio Ambiente da OAB compareceram moradores de diversos bairros atingidos por alagamentos. Também estiveram presentes moradores de áreas que foram impactadas com grandes projetos urbanísticos que vem seguidamente provocando mais problemas do que criando soluções.

Entre as entidades que foram convidadas, compareceram os representantes do Sindicato dos Urbanitários, da coordenadação do Curso de Direito da UFPA, a coordenadora do Programa de Apoio à Reforma Urbana – PARU da Faculdade de Serviço Social da UFPA, acadêmicos dos cursos de Direito e Serviço Social da UFPA, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB, agentes de Combate à Endemias, funcionário da Prefeitura Municipal de Belém e membros da Comissão de Acompanhamento da Obra de Duplicação da Pista de Rolamento da Av. Perimetral – CAO/Perimetral.

Como já foi mencionado anteriormente, existe uma ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o governo do Estado, a Prefeitura e a COSANPA, pelo sumiço de maquinários, falta de manutenção dos canais e diversas obras deixadas incompletas no projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una.

Na Macrodrenagem da Bacia do Una, foi aplicado um montante de mais de 300 milhões e não resolveu os problemas. Pelo contrário, hoje os canais estão sem manutenção alagam a cada chuva, trazendo os ESGOTOS dos canais para DENTRO DAS CASAS, bem como levando lixo para os leitos e propiciando a transmissão de doenças.

Mesmo com esta ação já tendo mais de 6 anos, a justiça não tomou nenhuma ação efetiva e ainda busca CULPAR A POPULAÇÃO pelos alagamentos, atribuindo a questão ao suposto lixo que as pessoas jogam.

O que ninguém comenta é que, se fosse lixo o provocador dos alagamentos, olharíamos para os canais e veríamos lixo. Porém o que vemos é TERRA, pois os canais estão assoreados por conta do abandono e da não manutenção. Tal manutenção é impossível, pois os equipamentos estão SUMIDOS e ninguém dá um posicionamento em relação a isso.

Outra questão que não é levantada, mesmo estando no cerne da questão, é que a Cosanpa cobra 60% do consumo a mais em todas as contas, a título de esgotamento sanitário, porém NÃO EXISTE ESGOTAMENTO, uma vez que as estações de tratamento nunca foram construídas e os esgotos são diretamente jogados nos canais e, consequentemente no leito dos nossos rios e mananciais.

Por tudo isso, diversos movimentos sociais, entidades e moradores dos 20 bairros atingidos estão em luta contra a inércia da justiça para que este ano não se repita o que ocorre desde o começo dos anos 2000, quando as obras de Macrodrenagem terminaram e, contraditoriamente, tiveram início os alagamentos constantes.


Fotos por Jorge André Silva (clique para ampliar)